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Bolivianos madrugam à espera do Papa Francisco

                            

    Bolivianos adentram a madrugada à espera do Papa


O Papa Francisco celebrará a Santa Missa campal, nesta quinta (9) às 10hs local em Santa Cruz de La Sierra , mas muita gente já ocupava as ruas por onde o Pontífice vai passar desde às 15hs do dia anterior. Bem agasalhados, com suas mantas e cobertores para enfrentar o frio da madrugada, os bolivianos traziam nas mãos suas bandeiras e no coração muita disposição para poder estar mais perto do Papa.
 Um grupo de peregrinos da cidade de Montero, província de Obispo Santistevan, chegou na tarde da quarta-feira para marcar seus lugares. “Nós chegamos aqui às 4 da tarde e trouxemos tudo para esperar o nosso Papa. Nós pedimos muito a Deus pela saúde do Santo Padre e também para que sua visita nos ajude e ajude o nosso país a diminuir a pobreza e a trazer reconciliação e unidade para o povo isto é o que todos nós de Santa Cruz esperamos”, disse Maria Araos Herrera.


Um grupo de jovens também provenientes de Monteiro se acomodava no chão da grade de proteção perto do Cristo Redentor de Santa Cruz, local da Santa Missa com o Papa. Os jovens também traziam no coração o desejo de uma pátria sem divisões e mais justiça social. “É uma grande bênção, uma experiência muito linda que nós vamos sentir. Ver o Papa é o mesmo que sentir Jesus mais perto de nós. Eu espero que com esta experiência nossos governantes tenham seus corações tocados por Deus e se preocupem mais com nosso povo, principalmente com os mais pobres”, disse Juan Alantero Prado de 21 anos.




A missa campal com o Papa Francisco na manhã desta quinta-feira é a sua principal atividade em Santa Cruz. Espera-se mais de um milhão de pessoas nas ruas da cidade.

Fonte: Canção Nova

Papa é recebido no Equador e inicia viagem apostólica

             


            Em solo equatoriano, o Papa Francisco inicia sua visita de nove dias à América Latina 


Pela segunda vez em seu pontificado, o Papa Francisco visita a América Latina, e começou a sua peregrinação neste domingo, 5. O Pontífice foi recebido no Aeroporto Internacional  “Mariscal Sucre” de Quito, no Equador, pelo presidente do país, Rafael Correa, por membros da Conferência Episcopal Equatoriana, por outras autoridades e fiéis.

Presidente do Equador, Rafael Correa, recebe o Papa Francisco 

 
Com um abraço cordial, o presidente acolheu o Santo Padre que, em seguida, cumprimentou algumas crianças. Francisco foi homenageado pelo canto do coral acompanhado por uma orquestra sinfônica, que também executou os hinos do Vaticano e do Equador.

O presidente Rafael Correa, destacou em seu discurso a postura do país em defesa da vida, da família e do meio ambiente. Ele assegurou que a constituição do Equador será a primeira no mundo a outorgar o cuidado com a natureza.

Correa ainda lembrou em tom bem humorado as palavras da presidente Dilma Rousseff quando Francisco esteve no Brasil: “O Papa é argentino, mas Deus é brasileiro. Sim, Deus pode ser brasileiro, mas o paraíso é aqui. Este país é um paraíso, Santo Padre!”, disse.

O Papa, por sua vez, agradeceu ao presidente, que por diversas vezes citou discursos de Francisco, bem como, sua Encíclica Laudato Si, mostrando, segundo o ele mesmo, “consonância” com seu pensamento.
                                                                                                        
As primeiras palavras do Santo Padre no Equador também agradeceram à acolhida recebida neste domingo e a Deus por tê-lo permitido retornar ao continente. No entanto, o Papa não deixou de, já num primeiro momento, lembrar os problemas sociais do Equador e da América Latina.

“Prestamos especial atenção aos irmãos mais frágeis e às minorias mais vulneráveis que é a dívida de toda a América Latina. Para isso, senhor presidente, poderás contar sempre com o empenho e a colaboração da Igreja para servir esse povo equatoriano”, disse.
O breve discurso foi encerrado com uma motivação para a gratidão a Deus e exortação à solidariedade. “Nunca percais a capacidade de dar graças a Deus pelo que Ele faz por vós. A capacidade de proteger o humilde e o simples, de cuidar das crianças e dos idosos. Que o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria derrame sobre vós a Sua graça e a Sua bênção”.

Após a cerimônia de boas vindas, o Papa Francisco participou de um encontro protocolar reservado com o presidente do Equador. Em seguida, dirigiu-se com a comitiva papal para a nunciatura apostólica onde passará a noite.
Nesta segunda-feira, 6, o Pontífice irá para Guayaquil onde, entre outras atividades, visitará o Santuário da Divina Misericórdia. 

Fonte: Canção Nova


Santa Sé divulga programação da viagem do Papa a Cuba e EUA


No dia 19 de setembro, o Papa Francisco partirá de Roma para Cuba, permanecendo no país até o dia 22; no dia 23, o Pontífice estará nos EUA

Nesta terça-feira, 30, foi divulgado pela Imprensa da Santa Sé o programa oficial da viagem do Papa Francisco a Cuba e Estados Unidos, que será de 19 a 28 de setembro deste ano.
O Santo Padre partirá de Roma para Cuba dia 19 de setembro, desembarcando no Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, onde se realizará a cerimônia de boas-vindas.
No dia seguinte, Francisco presidirá a Missa na Praça da Revolução, em Havana, e depois fará uma visita ao Presidente de Cuba, Raúl Castro. Em seguida, fará a oração das vésperas com os sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas na catedral de Havana. A seguir, o Pontífice saudará os jovens no Centro Cultural Padre Félix Varela.

Visita à Padroeira

Na segunda-feira, 21 de setembro, Francisco deixará Havana e irá a Holguín, onde celebrará a Missa na Praça da Revolução e abençoará a cidade. Em seguida, partirá para Santiago e ali se encontrará com os bispos no Seminário São Basílio Magno. Depois, Francisco irá ao Santuário da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira do país, para rezar com os bispos e o séquito papal.

Na terça-feira, 22 de setembro, o Papa Francisco presidirá a Celebração Eucarística no Santuário da Virgem da Caridade do Cobre, depois se encontrará com as famílias na Catedral de Nossa Senhora da Assunção, em Santiago, e abençoará a cidade.
No Aeroporto de Santiago, Francisco se despedirá da cidade e da Ilha de Cuba e partirá para Washington, primeira etapa de sua visita aos Estados Unidos, onde será acolhido oficialmente na base Andrews Air Force.

Estados Unidos

Na quarta-feira, 23 de setembro, será realizada a cerimônia de boas-vindas no South Lawn da Casa Branca, onde o Papa fará um discurso e se encontrará com o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A seguir, se encontrará com os bispos estadunidenses na Catedral de São Mateus, em Washington.
Na parte da tarde, Francisco presidirá a Missa de canonização do Beato Junípero Serra, franciscano que evangelizou a Califórnia, no Santuário Nacional da Imaculada Conceição.
Na quinta-feira, o Pontífice visitará o Congresso dos Estados Unidos, onde fará um discurso. A seguir, visitará o centro caritativo da Paróquia de São Patrício e se encontrará com os sem-teto. Logo, partirá de avião para Nova York, onde presidirá a oração das vésperas com o clero, os religiosos e religiosas na Catedral de São Patrício.
A primeira visita do Papa Francisco à sede da ONU está marcada para sexta-feira, 25 de setembro, pela manhã, contando com saudação e discurso do Santo Padre. Nesse mesmo dia, Francisco participará do encontro inter-religioso no memorial do Ground Zero, em Nova York, lembrando as vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001.
Na parte da tarde, o Papa visitará a escola católica Nossa Senhora Rainha dos Anjos e se encontrará com as crianças e famílias de imigrantes no Harlem. O dia se encerrará com a Missa celebrada no Madison Square Garden, em Nova York.

Encontro das famílias

No sábado, 26 de setembro, Francisco partirá para a Filadélfia onde celebrará a Missa com os membros do clero, religiosos e religiosas da Pensilvânia, na Catedral dos Santos Pedro e Paulo.
Na parte da tarde, o Papa participará do encontro para a liberdade religiosa com a comunidade hispânica e outros imigrantes no Independence Mall, na Filadélfia. À noite, Francisco participará da Festa das Famílias e da vigília de oração no Benjamin Franklin Parkway, Filadélfia, onde fará um discurso.
No domingo, 27 de setembro, o dia de Francisco começará com um encontro com os bispos convidados para o 8º Encontro Mundial das Famílias no Seminário São Carlos Borromeu. Depois visitará os detentos do Instituto ‘Curran-Fromhold’, para menores.
A tarde, o Papa presidirá a Missa conclusiva do 8º Encontro Mundial das Famílias no Benjamin Franklin Parkway. A seguir, saudará a comissão organizadora, os voluntários e benfeitores. Depois se despedirá dos Estados Unidos e voltará para Roma, onde chegará pela manhã da segunda-feira, 28 de setembro.




Fonte: Canção Nova


Cristãos devem estender a mão aos marginalizados, diz Papa

Na Missa de hoje, Papa destacou o valor da proximidade aos marginalizados; muitas vezes, cristãos devem “sujar” as mãos para ajudá-los, a exemplo de Jesus

O Papa Francisco voltou a defender, nesta sexta-feira, 26, a proximidade aos mais necessitados como um aspecto fundamental da comunidade cristã. Na Missa de hoje, ele destacou que o bem se faz “sujando” as mãos, ou seja, os cristãos devem se aproximar e estender as mãos àqueles que a sociedade tende a excluir.

 
Francisco convida cristãos a pensarem no modo como se fazem próximos aos mais necessitados

Aproximando-se dos excluídos do seu tempo, Jesus “sujou” as mãos tocando os leprosos. E, assim, ensinou à Igreja que não se pode fazer comunidade sem proximidade. As reflexões do Papa surgiram a partir do Evangelho do dia, que retrata a cura de um leproso.
O milagre, notou o Papa, aconteceu sob os olhos dos doutores da lei, que consideravam o leproso impuro. Naquela época, a lepra era uma condenação perpétua; curar um leproso era tão difícil como ressuscitar um morto. Por isso os leprosos eram marginalizados, mas Jesus estendeu a mão ao excluído e demonstrou o valor fundamental da palavra “proximidade”.
“Não se pode fazer comunidade sem proximidade. Não se pode fazer a paz sem proximidade. Não se pode fazer o bem sem se aproximar. Jesus poderia muito bem ter dito: ‘Sê purificado!’. Mas não: aproximou-se e o tocou. E mais! No momento em que Ele tocou o impuro, tornou-se também Ele impuro. E esse é o mistério de Cristo: toma para si as nossas sujeiras, as nossas impurezas.”

O trecho do Evangelho registra também o convite que Jesus fez ao leproso curado: que se apresentasse ao sacerdote para que fosse novamente incluído na sociedade. Além da proximidade, também é importante para Jesus a inclusão.
“Tantas vezes penso que seja, não digo impossível, mas muito difícil fazer o bem sem sujar as mãos. E Jesus se sujou. Proximidade. E depois vai além. (…) Quem estava excluído da vida social, Jesus inclui: inclui na Igreja, inclui na sociedade… Ele jamais marginaliza alguém, jamais. Marginaliza a si mesmo para incluir os marginalizados, para nos incluir, pecadores, marginalizados, com a sua vida”.

Proximidade é estender a mão

O Papa ressaltou a admiração que Jesus suscita com as suas afirmações e os seus gestos. “Quantas pessoas seguiram Jesus naquele momento e seguem Jesus na história porque ficam impressionadas pelo modo como fala”
“Quantas pessoas olham de longe e não entendem, não lhes interessa… Quantas pessoas olham de longe, mas com o coração mau, para testar Jesus, para criticá-lo, para condená-lo… E quantas pessoas olham de longe porque não têm a coragem que ele teve de se aproximar, mas têm tanta vontade de fazê-lo! E naquele caso, Jesus estendeu a mão, antes. No seu ser estendeu a mão a todos, fazendo-se um de nós, como nós: pecador como nós, mas sem pecado, mas sujo dos nossos pecados. E esta é a proximidade cristã”.
“Proximidade” é uma bela palavra, concluiu Francisco, convidando os fiéis a um exame de consciência: “Eu sei aproximar-me? Tenho ânimo, força, coragem de tocar os marginalizados?”. Essas são perguntas, disse, que dizem respeito também à Igreja, às paróquias, às comunidades, aos consagrados, aos bispos, aos padres, a todos.

Fonte: Canção Nova

O amor é caminho para seguir Jesus, diz Papa

Na oração do Regina Coeli, o Papa Francisco diz que Cristo convida todos a sair de si para ir em direção aos outros

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, o mandamento de Jesus inspirou as palavras que o Papa Francisco pronunciou antes de rezar a oração do Regina Coeli com os fiéis e peregrinos na Praça de São Pedro.
O Evangelho deste domingo, 10, leva ao Cenáculo, onde Jesus se dirige aos discípulos durante a Última Ceia, acrescentando que “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”.
O Papa explica que essas palavras resumem toda a mensagem de Jesus, tudo o que Ele fez: deu a vida por seus amigos que, no momento crucial, o abandonaram, traíram e renegaram. “Isso nos diz que Ele nos ama mesmo que não mereçamos o seu amor: assim Jesus nos ama!”.
Deste modo, Jesus mostra que o caminho para segui-lo é o caminho do amor. O seu mandamento não é um simples preceito, é novo, porque Ele por primeiro o realizou, deu a sua própria carne e assim a lei do amor está escrita uma vez por todas no coração do homem.
Indicando o caminho do amor, Cristo convida todos a sair de si para ir em direção aos outros. “Jesus nos mostrou que o amor de Deus se aplica no amor ao próximo. Todos os dois caminham juntos. As páginas do Evangelho estão repletas deste amor: adultos e crianças, cultos e analfabetos, ricos e pobres, justos e pecadores foram acolhidos no coração de Cristo.
Portanto, esta Palavra do Senhor ensina a todos como amar uns aos outros, mesmo que haja divergências e diferenças, mas é justamente ali que se vê o amor cristão.
“Este é o amor que Jesus nos ensinou e que nos leva a realizar pequenos e grandes gestos: gestos de atenção a um idoso, a uma criança, a um doente, a uma pessoa só e em dificuldade, sem casa, sem trabalho, imigrada, refugiada (…) Nesses gestos se manifesta o amor de Cristo”, concluiu o Papa.

Mensagem do Papa para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações

Amados irmãos e irmãs!

O IV Domingo de Páscoa apresenta-nos o ícone do Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas, chama-as, alimenta-as e condu-las. Há mais de 50 anos que, neste domingo, vivemos o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Este dia sempre nos lembra a importância de rezar para que o «dono da messe – como disse Jesus aos seus discípulos – mande trabalhadores para a sua messe» (Lc 10, 2). Jesus dá esta ordem no contexto dum envio missionário: além dos doze apóstolos, Ele chamou mais setenta e dois discípulos, enviando-os em missão dois a dois (cf. Lc 10,1-16). Com efeito, se a Igreja «é, por sua natureza, missionária» (Conc. Ecum. Vat. II., Decr. Ad gentes, 2), a vocação cristã só pode nascer dentro duma experiência de missão. Assim, ouvir e seguir a voz de Cristo Bom Pastor, deixando-se atrair e conduzir por Ele e consagrando-Lhe a própria vida, significa permitir que o Espírito Santo nos introduza neste dinamismo missionário, suscitando em nós o desejo e a coragem jubilosa de oferecer a nossa vida e gastá-la pela causa do Reino de Deus.
A oferta da própria vida nesta atitude missionária só é possível se formos capazes de sair de nós mesmos. Por isso, neste 52º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, gostaria de reflectir precisamente sobre um «êxodo» muito particular que é a vocação ou, melhor, a nossa resposta à vocação que Deus nos dá. Quando ouvimos a palavra «êxodo», ao nosso pensamento acodem imediatamente os inícios da maravilhosa história de amor entre Deus e o povo dos seus filhos, uma história que passa através dos dias dramáticos da escravidão no Egipto, a vocação de Moisés, a libertação e o caminho para a Terra Prometida. O segundo livro da Bíblia – o Êxodo – que narra esta história constitui uma parábola de toda a história da salvação e também da dinâmica fundamental da fé cristã. Na verdade, passar da escravidão do homem velho à vida nova em Cristo é a obra redentora que se realiza em nós por meio da fé (Ef 4, 22-24). Esta passagem é um real e verdadeiro «êxodo», é o caminho da alma cristã e da Igreja inteira, a orientação decisiva da existência para o Pai.
Na raiz de cada vocação cristã, há este movimento fundamental da experiência de fé: crer significa deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do próprio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abraão a própria terra pondo-se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicará a estrada para a nova terra. Esta «saída» não deve ser entendida como um desprezo da própria vida, do próprio sentir, da própria humanidade; pelo contrário, quem se põe a caminho no seguimento de Cristo encontra a vida em abundância, colocando tudo de si à disposição de Deus e do seu Reino. Como diz Jesus, «todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna» (Mt 19, 29). Tudo isto tem a sua raiz mais profunda no amor. De facto, a vocação cristã é, antes de mais nada, uma chamada de amor que atrai e reenvia para além de si mesmo, descentraliza a pessoa, provoca um «êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus» (Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est, 6).
A experiência do êxodo é paradigma da vida cristã, particularmente de quem abraça uma vocação de especial dedicação ao serviço do Evangelho. Consiste numa atitude sempre renovada de conversão e transformação, em permanecer sempre em caminho, em passar da morte à vida, como celebramos em toda a liturgia: é o dinamismo pascal. Fundamentalmente, desde a chamada de Abraão até à de Moisés, desde o caminho de Israel peregrino no deserto até à conversão pregada pelos profetas, até à viagem missionária de Jesus que culmina na sua morte e ressurreição, a vocação é sempre aquela acção de Deus que nos faz sair da nossa situação inicial, nos liberta de todas as formas de escravidão, nos arranca da rotina e da indiferença e nos projecta para a alegria da comunhão com Deus e com os irmãos. Por isso, responder à chamada de Deus é deixar que Ele nos faça sair da nossa falsa estabilidade para nos pormos a caminho rumo a Jesus Cristo, meta primeira e última da nossa vida e da nossa felicidade.
Esta dinâmica do êxodo diz respeito não só à pessoa chamada, mas também à actividade missionária e evangelizadora da Igreja inteira. Esta é verdadeiramente fiel ao seu Mestre na medida em que é uma Igreja «em saída», não preocupada consigo mesma, com as suas próprias estruturas e conquistas, mas sim capaz de ir, de se mover, de encontrar os filhos de Deus na sua situação real e compadecer-se das suas feridas. Deus sai de Si mesmo numa dinâmica trinitária de amor, dá-Se conta da miséria do seu povo e intervém para o libertar (Ex 3, 7). A este modo de ser e de agir, é chamada também a Igreja: a Igreja que evangeliza sai ao encontro do homem, anuncia a palavra libertadora do Evangelho, cuida as feridas das almas e dos corpos com a graça de Deus, levanta os pobres e os necessitados.
Amados irmãos e irmãs, este êxodo libertador rumo a Cristo e aos irmãos constitui também o caminho para a plena compreensão do homem e para o crescimento humano e social na história. Ouvir e receber a chamada do Senhor não é uma questão privada e intimista que se possa confundir com a emoção do momento; é um compromisso concreto, real e total que abraça a nossa existência e a põe ao serviço da construção do Reino de Deus na terra. Por isso, a vocação cristã, radicada na contemplação do coração do Pai, impele simultaneamente para o compromisso solidário a favor da libertação dos irmãos, sobretudo dos mais pobres. O discípulo de Jesus tem o coração aberto ao seu horizonte sem fim, e a sua intimidade com o Senhor nunca é uma fuga da vida e do mundo, mas, pelo contrário, «reveste essencialmente a forma de comunhão missionária» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 23).
Esta dinâmica de êxodo rumo a Deus e ao homem enche a vida de alegria e significado. Gostaria de o dizer sobretudo aos mais jovens que, inclusive pela sua idade e a visão do futuro que se abre diante dos seus olhos, sabem ser disponíveis e generosos. Às vezes, as incógnitas e preocupações pelo futuro e a incerteza que afecta o dia-a-dia encerram o risco de paralisar estes seus impulsos, refrear os seus sonhos, a ponto de pensar que não vale a pena comprometer-se e que o Deus da fé cristã limita a sua liberdade. Ao invés, queridos jovens, não haja em vós o medo de sair de vós mesmos e de vos pôr a caminho! O Evangelho é a Palavra que liberta, transforma e torna mais bela a nossa vida. Como é bom deixar-se surpreender pela chamada de Deus, acolher a sua Palavra, pôr os passos da vossa vida nas pegadas de Jesus, na adoração do mistério divino e na generosa dedicação aos outros! A vossa vida tornar-se-á cada dia mais rica e feliz.
A Virgem Maria, modelo de toda a vocação, não teve medo de pronunciar o seu «fiat» à chamada do Senhor. Ela acompanha-nos e guia-nos. Com a generosa coragem da fé, Maria cantou a alegria de sair de Si mesma e confiar a Deus os seus planos de vida. A Ela nos dirigimos pedindo para estarmos plenamente disponíveis ao desígnio que Deus tem para cada um de nós; para crescer em nós o desejo de sair e caminhar, com solicitude, ao encontro dos outros (cf. Lc 1, 39). A Virgem Mãe nos proteja e interceda por todos nós.

Vaticano, 29 de Março – Domingo de Ramos – de 2015.

Papa diz que a Divina Misericórdia supera todo limite humano

O Papa Francisco falou do mistério pascal manifestado em plenitude na amabilidade de Jesus  
 
Após a Santa Missa, o Papa Francisco rezou o Regina Coeli, que foi inspirado na liturgia deste Domingo da Misericórdia


Após a Missa deste domingo, 12, o Papa Francisco acenou à janela do apartamento Pontifício para rezar, com os milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro, a oração mariana do Regina Coeli.
Inspirado na liturgia deste Domingo da Misericórdia, o Santo Padre falou do mistério pascal manifestado em plenitude na amabilidade de Jesus, que indo de encontro à incredulidade de Tomé, mostra-lhe suas chagas, sinais de sua paixão, para que possa chegar à plenitude da fé pascal.
“Tomé é alguém que não se contenta e busca, pretende verificar pessoalmente, ter uma experiência pessoal própria. Após as iniciais resistências e inquietudes, por fim também ele passa a acreditar, mesmo avançando com cansaço. Jesus o espera pacientemente e se oferece às dificuldades e inseguranças do último a chegar”.
O Senhor proclama “Bem-aventurados” aqueles que acreditam sem ver e a primeira é Maria, recordou o Papa, observando que Jesus também vai ao encontro à exigência do discípulo incrédulo. “Coloque aqui o teu dedo e olha as minhas mãos”.
“Ao contato salvífico com as chagas do Ressuscitado, Tomé manifesta as próprias feridas, as próprias lacerações, a própria humilhação. No sinal dos pregos encontra a prova decisiva de que era amado, esperado, entendido. Encontra-se diante de um Messias pleno de doçura, de misericórdia, de ternura. Era ele o Senhor que buscava nas profundidades secretas do próprio ser, pois sempre soube que era assim”.
O Papa disse que ao ter este contato pessoal com a amabilidade e a misericordiosa paciência de Deus, Tomé compreende o significado profundo da sua ressurreição e, intimamente transformado, declara a sua fé plena e total Nele, exclamando: “Meu Senhor e meu Deus!”.
Tomé pode tocar o Mistério pascal que manifesta plenamente o amor salvífico de Deus, rico em misericórdia.
Este II domingo de Páscoa, disse o Papa Francisco, convida todos a contemplar nas chagas do Ressuscitado a Divina Misericórdia, que supera todo limite humano e resplandece sobre a obscuridade do mal e do pecado.
“Um tempo intenso e prolongado para acolher as imensas riquezas do amor misericordioso de Deus. Será o próximo Jubileu Extraordinário da Misericórdia, cuja Bula de convocação promulguei na tarde de ontem na Basílica de São Pedro. “Misericordiae Vultus”, o Rosto da Misericórdia é Jesus Cristo. Tenhamos o olhar voltado para Ele. E que a Virgem Mãe nos ajude a sermos misericordiosos com os outros como Jesus é conosco”.
Após saudar os diversos grupos de peregrinos presentes na Praça, o Santo Padre dirigiu suas cordiais felicitações aos fiéis das Igrejas do Oriente que, segundo seu calendário, celebram neste domingo, 12, a Santa Páscoa e aos armênios vindos para participar da celebração na Basílica Vaticana.
O Pontífice também agradeceu e retribuiu as mensagens de Páscoa chegadas de todo o mundo nas últimas semanas, manifestando a todos afeto e proximidade, reiterando seu pedido de que continuem a rezar por ele.   


Papa pede que fiéis se deixem transformar com a Ressurreição

Francisco rezou o Regina Coeli com os fiéis na oitava de Páscoa; pedido foi uma transformação de vida a partir da Ressurreição de Cristo

Nesta segunda-feira, 6, o Papa Francisco rezou a oração mariana do Regina Coeli com os fiéis presentes na Praça São Pedro nesse primeiro dia da oitava de Páscoa. Na reflexão que precede a oração, o Pontífice convidou os fiéis a deixarem que suas existências sejam conquistadas e transformadas pela Ressurreição.
Francisco partiu da narração do Evangelho de Mateus, em que as duas mulheres, ao encontrarem o Sepulcro de Jesus vazio, presenciam a aparição do Anjo que lhes anuncia que Cristo ressuscitou. Elas puderam se encontrar com o próprio Jesus, que lhes disse: “Vão e digam aos meus irmãos que se dirijam à Galileia, pois é lá que eles me verão”.
“A Galileia é a ‘periferia’ onde Jesus havia iniciado sua pregação; e de lá repartirá o Evangelho da Ressurreição para que seja anunciado a todos e cada um possa encontrar o Ressuscitado, presente e operante na história”, refletiu Francisco.
Ao recordar que este é o anúncio que a Igreja repete desde seus primórdios, o Papa afirmou que também os fiéis, por meio do batismo, ressuscitam, passam da morte à vida, da escravidão do pecado à liberdade do amor.
“Esta é a boa notícia à qual somos chamados a levar aos outros, em todos os lugares, animados pelo Espírito Santo. A fé na ressurreição e a esperança que Ele nos trouxe são o dom mais bonito que os cristãos podem e devem oferecer a seus irmãos. A todos e a cada um não nos cansemos de repetir: Cristo ressuscitou!”, exortou o Papa.

 Cristãos felizes

Ao afirmar que a Boa Nova da Ressurreição deve transparecer no rosto dos cristãos, em seus sentimentos, atitudes e na maneira como tratam os outros, Francisco falou sobre o que acontece quando se anuncia a ressurreição de Cristo.
“A Sua luz ilumina os momentos mais sombrios da nossa existência e podemos compartilhá-la com os outros, então sabemos sorrir com quem sorri e chorar com quem chora; caminhar ao lado de quem está triste e poderia perder a esperança; contar a nossa experiência de fé a quem está buscando um sentido para a vida e a felicidade”, descreveu o Pontífice.

Oitava de Páscoa

Explicando o tempo litúrgico da Ressurreição, o Papa destacou que a Oitava de Páscoa ajuda a entrar no mistério, para que a sua graça se imprima no coração e na vida.
“A Páscoa é o evento que traz a novidade radical para todo ser humano, para a História e o mundo: é o triunfo da vida sobre a morte; é a festa de despertar e se regenerar. Deixemos que a nossa existência seja conquistada e transformada pela Ressurreição!”, concluiu Francisco.

Papa afirma que o sinal da cruz é abraço de Deus

O sinal da cruz que os cristãos traçam com frequencia sobre o corpo, é muito mais que um simbolismo. É expressão de um abraço de Deus no ser humano - Diz Bento XV aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro no Vaticano para a tradicional oração do Ângelus.

Vaticano divulga documento que aponta Igreja Católica como a única 'plena'

Foto: ReutersObra reforça posição de Bento XVI de que protestantes não são 'igreja' de verdade.
O texto tem três parágrafos introdutórios e cinco perguntas e respostas.
O Vaticano divulgou nesta terça-feira (10) um documento datado de 29 de junho último que aponta a Igreja Católica como a única a reunir todos os requisitos da comunidade fundada originalmente por Cristo e seus apóstolos.
O texto, de três parágrafos introdutórios e cinco perguntas e